Olá a todos,

Durante o mês de Abri celebra-se o Dia Mundial da Voz (mais concretamente no dia 16) e é com muito gosto que estou aqui a partilhar convosco, um pouco da minha história.

O meu nome é Rui Pedro, sou músico, tenho 35 anos, nascido em Portugal e actualmente a residir em Toronto desde 2018, apesar de esta ser a minha segunda passagem pelo Canadá.
Para quem já me conhece, sabe que há cerca de 7 anos atrás, enfrentei a maior batalha da minha vida; um cancro….e não foi o primeiro. Em 2006 tive o meu primeiro contacto directo com a doença, só que nessa altura foi detectado numa fase muito prematura e foi facilmente controlado. Ambos nas cordas vocais, sendo que este último, de grau 4, retirou-me a voz de forma permanente. Sei que provavelmente devem estar a perguntar-se o porquê de eu, um rapaz que ficou sem voz, estar a dar o seu testemunho sobre o Dia Mundial da Voz, certo?! Eu faria a mesma pergunta se estivesse desse lado. Mas a resposta é simples: os nossos limites são aqueles que nós impomos a nós próprios.
Quando soube que ia perder a voz de forma permanente, tinha 28 anos. Foi um choque para mim pois passei uma vida inteira a lidar com público/pessoas. Trabalhei sempre como empregado de mesa/summelier. Assim sendo, tinha que arranjar maneira de me expressar, caso contrário, superar tudo aquilo que estava a passar, seria muito difícil. Quantos de vocês em situações de frustração e revolta não sente uma vontade enorme de gritar, apenas para “descarregar”?! Eu não sou diferente. Tendo eu sido músico-percussionista em bares em Portugal nos meus tempos livres, decidi agarrar na guitarra, aprendendo a tocar durante o longo processo de tratamentos, e fui escrevendo as minhas canções, todas instrumentais, sem letra, sem voz…as minhas frustrações, os meus sentimentos, os meus gritos de revolta eram descarregados ali, nos acordes das músicas que compunha, passando essa a ser a minha voz. Quanto ao dia-a-dia, foi uma questão de hábito e adaptação; aprendi com uma terapeuta da fala, falar através de um sussurro muito fraco mas suficiente para comunicar. Quando não o consigo fazer, é só pegar no telemóvel e escrever aquilo que pretendo dizer.

Depois de terminados os tratamentos e recuperação, decidi pegar nessa minha nova voz, a guitarra e fazer dela o meu novo trabalho, a minha nova vida e seguir um sonho antigo: ser músico a tempo inteiro. Em 2 anos de música em Portugal, entre diferentes projectos, foram mais de 150 concertos pleo país fora. Ao sentir que precisava de algo mais que o mercado musical português não me podia oferecer, decidi regressar a Toronto e trouxe o meu projecto de originais comigo: de Sons Mudos passou a ser Mute Sounds, composto por 4 elementos e uma manager, manager essa que conheci aqui em 2019 e com quem sou casado desde 2021.

Actualmente, os Mute Sounds têm 3 álbuns lançados em todas as plataformas de música, estamos a dar espectáculos por toda a GTA todos os meses e temos uma Tour marcada para Julho deste ano por todo o Ontario: Ottawa, Sudbury, Guelph, Hamilton, London, são algumas das cidades onde estaremos a apresentar o nosso último trabalho, que se chama “Resilience”.

Mesmo quando a vida parece estar a desabar, enquanto há esperança, temos que nos agarrar a ela, e não se esqueçam do que vos disse acima; os nossos limites são aqueles nós impomos a nós próprios.
Feliz Dia Mundial da Voz e se puderem, passem nas plataformas de música para ouvir a minha.
Um abraço,

Rui Pedro, músico

(foto: Maria Alekseeva)

Please follow and like us:
error22
fb-share-icon52
Tweet 26
fb-share-icon20