Mais de mil mulheres luso-canadianas participaram no evento ‘Sticking Together” com o objetivo de sensibilizar a população para a prevenção do cancro da mama e, estimular a participação ativa da mulher na sociedade.

Por Carla Caetano (texto e fotos)

O evento com a assinatura da líder comunitária Linda Correia, teve lugar no dia 11 de março, no salão da LiUNA Local 183, no norte de Toronto, com os fundos angariados a reverterem para a Canadian Cancer Society.

“O que torna esta noite tão especial é que, não me posso esquecer, na primeira vez que organizei o ‘Sticking Together’, na altura na Casa dos Poveiros, passado algum tempo, uma vítima desta doença, ligou-me a agradecer, por lhe ter salvado a vida”, confessou a promotora do evento.

Linda Correia assume como missão, além da angariação de fundos para a Canadian Cancer Society, “sensibilizar todas as mulheres para fazerem os seus exames de rotina, porque o cancro é uma luta contra o tempo, sem tempo”.

O ano de 2022 foi considerado um ano de recuperação pós-pandemia, mas dados indicam que o cancro continua e não dar tréguas, ou seja, no Canadá, uma em cada oito mulheres é diagnosticada com um cancro da mama, sendo esta a principal causa de morte do sexo feminino, no país.

A representante e voluntária na Canadian Cancer Society Nancy Dryman, uma das oradoras especiais do evento, sublinhou a importância deste tipo de iniciativas “quase únicas especialmente num período pós-pandemia”.

Novos dados revelam que este tipo de doença oncológica aumentou relativamente a 2019, pois antes eram diagnosticadas uma em cada nove mulheres.

No entanto, durante a pandemia, os casos aumentaram devido ao cancelamento de alguns rastreios e consultas de rotina.

Agora mais de que nunca “várias mulheres têm sido diagnosticadas com a doença em fases muito avançadas”, pois no período mais normal, “muitos destes casos seriam detetados no inicio”.

“Derivado à conjuntura imposta pela pandemia e restrições associadas, esta doença começa a ser detetada mais tarde, em fases mais avançados do que era normal. Partes destes diagnósticos são feitos a mulheres com idades compreendidas entre os 50 aos 70 anos, principalmente depois da menopausa”, declarou.

Um dos principais problemas é a falta de informação, sobretudo em comunidades emigrantes, pessoas que não dominam ou não percebem as línguas oficiais do Canadá.

De acordo com Nancy Dryman, a Canadian Cancer Society está a direcionar alguns dos seus profissionais e especialistas, que dominam vários idiomas, incluindo o português, para “facilitar a compreensão do processo e intensificar o apoio na luta de cada mulher contra o cancro, independentemente da sua origem”.

O evento Sticking Together não se dedicou apenas às mulheres da comunidade portuguesa, mas também a todos aqueles que “quiserem apoiar esta nobre causa”.

A deputada federal Julie Dzerowicz, presente no evento, enalteceu a “importância da iniciativa”, partilhando com os convidados, um lado mais pessoal: a luta da sua irmã contra o cancro da mama.

Não faltaram testemunhos e partilha de experiências no evento, nomeadamente Cidália Barbosa, diagnosticada com um cancro da mama, em outubro do ano passado, um mês, que se dedica à consciencialização desta doença.

“Tinha efetuado os meus exames de rotina e uma mamografia há seis meses, mas, sentia-me muito cansada, com um braço dormente, decidi ir ao médico, foi nessa altura que recebi esta noticia”, confessou.

A vítima também, ao mesmo tempo, tentava dar apoio e carinho à sua mãe, “também diagnosticada com um cancro”, encontrando-se já numa “fase terminal”.

Por sua vez Natacha Correia, descreveu a sua experiência pessoal da sua avó quando residia numa das ilhas nos Açores, onde a informação que chegara “era pouca ou nenhuma”, reconhecendo que uma mulher que passa por esta situação “perde o que é mais feminino que é o peito”, considerando as vítimas desta doenças mais “mulheres do que as outras pessoas”.

O evento não se dedicou apenas a angariar verbas para ajudar na pesquisa ao combate a esta doença, para que um dia, seja descoberta uma cura, mas também pretendeu apoiar a Oásis Dufferin Community Centre.

Esta instituição está localizada na área da Dufferin e da Davenport, apoiando os mais necessitados com programas comunitários, sobretudo a nível alimentar.

Os presentes mostraram a sua solidariedade e doaram produtos alimentares para o Oásis Dufferin Community Centre.

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