Os líderes do PSD, CDS-PP e PPM nos Açores reiteraram hoje que a coligação de governo está “firme”, com o líder centrista, Artur Lima, a criticar as “vozes incómodas” que a tentam “destabilizar”.

“Continuamos firmes a esse compromisso e à coligação, liderada por José Manuel Bolieiro, a quem agradeço, apesar de algumas vozes incómodas que, de tempos a tempos, tentam destabilizar e pôr em causa aquilo que foi por nós negociado”, afirmou Artur Lima.

O dirigente centrista falava, em Angra do Heroísmo, na ilha Terceira, no encerramento do VI Congresso Regional da Juventude Popular (JP) dos Açores, no qual participaram também os líderes regionais dos PSD e do PPM, com quem o CDS formou uma coligação após as eleições legislativas regionais de outubro de 2020.

Artur Lima, que é vice-presidente do executivo açoriano, disse que os líderes dos três partidos se entenderam “como amigos”, garantindo que o CDS e o PPM nada exigiram ao PSD e que José Manuel Bolieiro nada lhes impôs.

“É falso que não haja coerência orgânica ou hierárquica no XIII Governo Regional dos Açores. O CDS tem voz própria e não prescinde da sua matriz, mas reconhece o presidente do PSD, José Manuel Bolieiro, como líder desta coligação e o CDS é-lhe totalmente leal”, frisou.

O líder centrista sublinhou que o CDS veio “acrescentar valor à governação regional”, alegando que é “um partido de confiança, de responsabilidade e, sobretudo, amadurecido, ao contrário de outros partidos, que teimam em ser fator de instabilidade”.

“O CDS tem o peso no Governo que o eleitorado lhe deu no parlamento. O que incomoda muita gente é que estamos todos a fazer um bom trabalho. Está a resultar”, apontou.

Artur Lima disse mesmo que, à direita, o CDS-PP é “um oásis no deserto da política do imediatismo”, alertando para o extremismo que “se evidencia demasiado” e para o “liberalismo descontrolado desligado das pessoas”.

“Sei que falar alto dá tempo de antena, que a ameaça velada dá tempo de antena, mas sei também que o povo preferirá sempre a decência à indecência, o respeito ao desrespeito, a liberdade ao autoritarismo e a estabilidade à instabilidade”, vincou.

O líder do PSD/Açores e presidente do Governo Regional, José Manuel Bolieiro, disse que a coligação criou um “projeto político inovador para os Açores pela pluralidade partidária”, que não é um combate, mas “um debate pela unidade”.

“Esta coligação passou não só a ser um projeto político, como também forjou uma relação, para além da confiança e da lealdade, de amizade”, salientou.

O dirigente social-democrata defendeu que o atual executivo não está “a fazer igual ao passado”, ainda que nem sempre seja reconhecido.

“Têm-me dito que nós estamos a fazer tantas coisas boas, de mudança para melhor nos Açores, mas não sabemos, porque somos piores do que os socialistas para fazer propaganda do que fazemos. Os socialistas faziam mais propaganda e menos governação, a coligação faz mais governação e menos propaganda”, afirmou.

Também o líder do PPM/Açores, Paulo Estêvão, garantiu que “a coligação está a funcionar” e que tem “bons resultados” para apresentar aos açorianos, como o crescimento do emprego ou os índices de atividade económica, que crescem “há 22 meses”.

“Nunca na história tantos açorianos estiveram empregados e a desempenhar as suas funções. São números recorde nunca atingidos pelos governos do PS, numa conjuntura de inflação, de crise económica, marcada pela guerra”, realçou.

O dirigente monárquico sublinhou também o “relacionamento político e de amizade” entre os três líderes partidários, mas disse que a coligação funciona, sobretudo, porque tem um “projeto político para mudar os Açores”.

“Esta crise vai passar, os problemas que estamos a enfrentar vão diminuir. Se já estamos a conseguir estes resultados em circunstâncias tão difíceis, imaginem o que nós vamos conseguir, quando finalmente existir um contexto internacional económico favorável. Os Açores vão disparar”, frisou.

PSD, CDS-PP e PPM dependem do apoio parlamentar dos deputados do Chega, IL e independente (ex-Chega) para ter maioria na Assembleia Legislativa dos Açores.

Em março, o deputado único da IL e o deputado independente anunciaram o fim dos acordos de incidência parlamentar, que tinham assinado, admitindo, ainda assim, negociar “ponto a ponto”.

O VI Congresso Regional da JP/Açores elegeu hoje, por unanimidade, com 34 votos, Tiago Rodrigues como novo presidente da estrutura.

 

Lusa

Foto: Pexels/Svetlana Shemetiuk

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