Ana Bailão anunciou publicamente que vai candidatar-se à presidência da Câmara Municipal de Toronto nas eleições intercalares agendadas para o dia 26 de junho deste ano. Natural de Vila Franca de Xira, Lisboa, a luso-canadiana está no Canadá desde os seus 15 anos. A ex-vereadora da Davenport, entre 2010 a 2022, foi também durante os últimos cinco anos de mandato de vice-presidente do município. Formada pela Universidade de Toronto em Sociologia e Estudos Europeus, desde 2010 foi a responsável pela habitação a preços acessíveis, numa entrevista à Tuga Mag explica os motivos que a levaram a candidatar-se e também os seus objetivos caso seja eleita ‘Mayor’ de Toronto.

TM: Quer explicar os motivos que a levaram a candidatar-se à presidência do município de Toronto?

AB: Esta é uma cidade fantástica, tenho o privilégio de morar aqui desde os 15 anos de idade. Com muitas pessoas de vários pontos do globo, aliás Toronto é uma cidade em que 50 por cento da população não nasceu no Canadá. As pessoas vêm para aqui à procura de oportunidade, de segurança, de uma cidade que trabalhe. Muitos sentem isso, senti-o quando cheguei aqui a esta cidade. Mas hoje depois desta grande pandemia a cidade está realmente com dificuldades, a voltar à normalidade, e a ter a prestação de serviços, que os residentes merecem e que pagam por isso. Estive 12 anos como vereadora, cinco dos anos como vice-presidente, tinha saído, ninguém esperava por esta situação de eleições (intercalares). Devido à minha experiência, a necessitarmos de alguém que tenha um foco na prestação de serviços e especialmente na habitação, que é uma área que muitas pessoas hoje em dia sentem a dificuldade de poder comprar, de poder arrendar casa aqui em Toronto. Tem sido uma área em que tenho trabalhado, tanto no setor público, com 12 anos na autarquia, bem como no setor privado. Na minha opinião, é importante trazer que conheça bem a autarquia, que seja dedicada a servir e a ter serviços mais eficientes e que tenha boas relações com o governo provincial e com Otava. Nós temos uma situação financeira difícil, os governos federal e provincial, têm-nos ajudado bastante durante a pandemia com subsídios, mas necessitamos de uma solução sustentável. O que estou a propor é que as autoestradas que são pagas pela municipalidade de Toronto, pois somos o único município na região que paga pelas suas autoestradas. Nenhuma outra municipalidade da região paga as autoestradas, que eram propriedade do Governo Provincial até aos anos 90. Aquelas vias têm de passar novamente para a gestão do governo provincial por uma questão de justiça mas também para podermos reinvestir esses fundos na prestação de serviços. Os governos têm vindo ao nosso auxílio. Vamos ter uma solução mais inteligente, a longo prazo, mais justa para os residentes de Toronto. Não é justo sermos os únicos a pagar a manutenção das autoestradas através do seu imposto predial. Que sejamos tratados como as outras municipalidades, para que esses fundos possam ser investidos nos serviços que necessitam, nos investimentos, dar atenção para que as pessoas tenham melhores acessos aos transportes públicos, à habitação, aos nossos parques recreativos e tudo mais.

TM: Está a referir-se concretamente às autoestradas Don Valley Parkway (DVP) e à Gardiner Expressway?

AB: Exatamente. Estas autoestradas são utilizadas por todas as pessoas da região, aliás, metade dos utilizadores não residem em Toronto, mas o custo de manutenção destas autoestradas é pago apenas pelos moradores de Toronto. Outros municípios também têm autoestradas, a Queen Elizabeth Way (QEW) passa noutros concelhos, muitas das autoestradas da série 400, passam por outros municípios e essas autarquias não pagam por isso. Numa cidade que é de tanta importância para o desenvolvimento económico do país inteiro, sabemos que contribuímos imenso para a economia do país e da província. É necessário ter soluções a longo prazo para que a cidade saia desta pandemia de boa saúde. Não queremos só os residentes de boa saúde, mas também os serviços e a cidade.

TM: Estamos a falar numa poupança de quanto com estas autoestradas?

AB: Estamos a gastar cerca de 200 milhões de dólares por ano na manutenção e na reconstrução da Gardiner Expressway.

TM: Qual a importância sendo uma luso-canadiana a candidatar-se à presidência da Câmara Municipal de Toronto, a maior cidade canadiana?

AB: Ser uma mulher emigrante, de classe trabalhadora, com experiência no setor privado, com uma vasta experiência como vereadora, como vice-presidente do município, tudo isso faz com que possa trazer a minha experiência de vida e profissional em prol desta cidade e da classe que está hoje em dia a sofrer na cidade. As pessoas estão a sofrer com o impacto da alta inflação, como os preços da habitação cada vez mais caros, com os preços dos serviços mais caros. Temos que ter um foco muito grande na prestação de bons serviços e ter a certeza que as pessoas que estão a ter o devido valor por aquilo que estão a pagar.

TM: Até agora, mais de dez pessoas anunciaram a intenção de se candidatar nas eleições intercalares para escolher o novo ‘Mayor’ – inclusive o ex-chefe da polícia de Toronto Mark Saunders. Agora é mais difícil vencer no dia 26 de junho?

AB: Uma campanha com muitos candidatos, com muitas ideias, é saudável para a democracia. Estou empenhada em expor as minhas ideias e a ter um diálogo com a população para cativar o apoio e a vontade de trazer a Toronto aquilo que deve ser e que pode ser.

TB: É positivo na sua perspetiva aparecerem vários candidatos nestas eleições?

AB: Dou as boas vindas a todos os candidatos. É um sinal de uma democracia saudável. O que trago é a minha experiência de vida, profissional, as minhas ideias, um plano. Julgo que é isso o que a cidade necessita, que é alguém pragmático, decisivo, alguém que vá melhorar os serviços essenciais desta cidade.

TB: Pretende dar continuidade ao executivo de John Tori, que saiu em fevereiro, ou pretende implementar políticas diferentes caso seja eleita?

AB:A Ana é a pessoa que é. Uma mulher emigrante de classe trabalhadora, com experiência no setor privado e no público, que está a apresentar um plano. É esse plano que vai ser eleito, que vai ser trabalhado quando a foi presidenta da câmara municipal.

TB: Uma das questões que preocupa muitos residentes de Toronto é a questão da segurança. Como pensa resolver este problema?

TB: Há candidatos à presidência do município que pretendem retirar financiamento à polícia. Mas acho que o nosso foco deve ser na segurança pública, que inclui uma polícia bem formada, bem financiada, mas inclui ainda outras vertentes, tais como programações de apoios sociais, de saúde mental, para os sem-abrigo, tudo isto faz parte de um plano de segurança pública. Acredito numa polícia bem financiada, não acredito, numa cidade que está a crescer, cortar fundos à polícia.

TM: Espera contar com o apoio da comunidade portuguesa no dia 26 de junho?

TM: Espero que sim. Costumo dizer que todo o meu envolvimento político nasceu do meu envolvimento comunitário. Não sou uma pessoa que entrou na política porque gosta de política. Entrei através do meu trabalho comunitário, daquilo que tudo fiz e aprendi e os valores que ganhei no meu trabalho comunitário. Sou um produto desta comunidade, sou um membro ativo desta comunidade e espero que a comunidade se reveja no meu plano, que veja os serviços que pretendem que sejam melhorados. Que participam nesta campanha eleitoral, e que no dia 26 de junho votem em Ana Bailão.

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